O Silêncio.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

 Quem me conhece sabe que o pior castigo que me podem dar é o silêncio. O cessar de palavras, o calar de olhares, o vazio de aconchegos e carinhos. Não me importo de o gritar como ponto fraco, pois é facto adquirido para maior parte das pessoas que familiariza comigo diariamente.
 É normal haver contratempos, zanguitas e aborrecimentos quando passamos muito tempo com as pessoas, odeio ver-me neste tipo de situações, tendo em conta que passo a sentir-me mini e sem forças nenhumas, porém, é inevitável acontecer de vez em quando.
 Contudo, fico extremamente desorientada e insegura assim que as pessoas recorrem ao Silêncio, sempre foi algo que me assustou. Porquê usar tal ferramenta para me penalizar? Sendo eu pessoa de sinceridade e opiniões directas, fico mesmo triste por usarem o silêncio como punição. 
 Tal arma faz-me moer e remoer no assunto, passar mil e uma vezes na minha mente a situação em que «errei» e tentar emendá-la conscientemente. Tal arma tira-me o sono, deixa-me nervosa, ansiosa e irrequieta. Passo a duvidar de tudo e todos. Será que a pessoa silenciada comentou alguma coisa sobre o assunto com alguém? Quando vai a pessoa silenciada retomar a conversa comigo? Estarão as coisas resolvidas quando a pessoa silenciada quebra o silêncio?
 Nunca achei que o silêncio fosse uma boa forma de resolver os problemas, uma vez que não nos permite o debate do assunto, nem perceber onde reside o ponto fulcral de todo o devaneio.
 Quando era pequenita vi a minha tia castigar o meu primo pondo-o num quarto com as luzes desligadas, persianas fechadas, longe de tudo quanto era livros, rádios e televisões... A minha mãe tentou o mesmo comigo. Após 5 minutos naquele escritório, comecei a atrofiar. Nem os passarinhos conseguia ouvir. Qual é a piada do Silêncio?
 Em vez de resolver as coisas, afasta as pessoas, prolonga os problemas, gera mais confusões e discussões, elimina momentos... Prefiro mil vezes que me digam onde acham que errei, onde agi mal. Assim, podemos juntos encontrar solução para a situação. Aliás, muitas vezes, assim que se fala das coisas, descobre-se que, afinal, não havia coisa nenhuma a resolver.
 Por isso, vamos, por favor, falar das coisas, encará-las de frente, resolvê-las sem medos!
 Pelo menos comigo.
 Não gosto de Silêncio, acho que nunca vou gostar. Desculpa, Silêncio!

(Não confundir com o silêncio de meditação!!!!!)

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