Passadeiras

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

 Depois de ver este vídeo durante uma conversa com o meu pai, eu perguntei-lhe se nestes países não havia passadeiras... A resposta que obtive deixou-me a pensar, disse-me que em certos países por todo o mundo passadeiras não são comuns, uma vez que são sinal de uma população civilizada. Na altura, acenei e calei. Contudo, ainda hoje continuo a pensar nisto.
 A expressão «população civilizada» é extremamente irónica. É verdade que os países ditos civilizados têm poder legislativo, educativo e judicial, é verdade que há as regras de etiqueta, certas normas para socializar, é verdade que as pessoas estudam o código de estrada, é verdade que há livros de receitas, dicionários com explicações detalhadas, livros de instruções para pôr as coisas a funcionar, panfletos para explicar e resumir certos assunto. Porém, até que ponto tudo isto indica que somos uma população civilizada?

 Diariamente chegam notícias aos nossos ouvidos e aparecem nos nossos ecrãs de pessoas do nosso país, da Europa e de outros continentes que fizeram coisas abismais, desumanas, que quebraram todas as regras e mais algumas, sem se perceber porquê. Onde está o civismo nestas pessoas?
 Constantemente vemos pessoas a passar a estrada fora das passadeiras, a passar o sinal vermelho enquanto andante e condutor, a ignorar os traços contínuos e as linhas amarelas, a desprezar os proibidos e os sentidos obrigatórios, os STOP's. São exemplos simples e não julgo quem o faz, mas, todo o texto vai ter ao momento que o meu pai me disse que passadeiras eram sinais de civismo.
 Embora compreenda o que ele quis dizer, não posso deixar de discordar. Não são sinal de civismo, são apenas uma medida que alguém implementou para tentar facilitar a vida a muitas pessoas e que, maior parte das vezes, não são respeitadas.
 O que dita o civismo de uma sociedade não é o número de passadeiras que existem onde esse conjunto de pessoas vive. Pelo menos, não na minha opinião.
 Está nas atitudes, na reacção às adversidades que ocorrem, está nas respostas orais que se dão. Está na nossa posição relativa ao próximo. As passadeiras são só um detalhe.

6 comentários:

  1. No meio de tanta guerra, injustiças e egocentrismo é difícil acreditar que alguma vez fomos civilizados.
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  2. Em parte concordo contigo. Mas essas regras simbolizam uma "vontade de civismo" pelo menos é o que considero. Quando nem sequer existem regras é sinal de que as pessoas nem se importam. Fica ao cargo das nossas consciências cumpri-las ou não e sofrer as respectivas consequências.
    Mas e se n existissem regras, achas que a nossa moral e civismo inatos nos fariam considerar o que é bom para o outro?

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    1. Acho que o civismo parte de cada um e não da sociedade. :)

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  3. Há casos e casos. Eu acredito que sejamos uma população civilizada, caso contrário a nossa vida seria um caos total (já nos imaginaste sem justiça ou segurança pública? Sem educação?). Mas, claro está, há casos e casos. Dentro da população civilizada há muita falta de civismo.

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    1. Pois, o problema do conceito de civilização reside aí, eu não acredito numa população civilizada, acredito em indíviduos civilizados.

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  4. Ainda falta muito para dizermos que o civismo existe a 100% mas já houve evoluções e retrocessos...

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