Medo do compromisso

quinta-feira, 9 de março de 2017

 Ultimamente, tenho vindo a reparar que os jovens que se estão a criar têm um medo terrível de se comprometerem com o que quer que seja, quer falemos de trabalho, quer abordemos a religião. Sinto que há uma tendência para se viver fugazmente, tem de ser tudo agora, neste segundo, rápido, desmedidamente.
 Sou muito nervosa, por isso, por um lado, compreendo esta ansiedade de fazer tudo o quanto antes, porém, não consigo deixar de apreciar cada segundo, cada respiração, cada momento, cada pessoa que passa na minha vida, que cruza o meu caminho. Gosto de me comprometer com projectos novos e dedicar-lhes o meu tempo e a minha atenção. Aproveitar cada tarefa, cada palavra sábia dos que já fazem o mesmo que eu há mais tempo; tomar consciência de cada passo que dou, de cada conselho que me foi dado; apreciar todo o sorriso que me é dirigido, interpretar cada lágrima que cai na cara do próximo.

 Sinto mesmo que cada vez mais as pessoas fazem as coisas por impulso, só para ficarem feitas, para que não tenham de pensar mais nisso, quanto mais rápido melhor. E cada vez mais me identifico menos com este estilo de vida.
 Começo a aperceber-me que é um desafio ainda maior atrair as pessoas para projectos e convencê-las a fazer parte de equipas coesas e trabalhadoras. Numa sociedade em que está tudo À distância de um clique, é fácil notarmos que as pessoas ficam amedrontadas quando notam que vai exigir mais tempo e esforço da parte delas do que estavam à espera.
 Esta atitude, e postura, entristece-me um pouco, porém, não me fará desistir de tentar e lutar mais para reunir as pessoas em desafios, projectos e eventos.
 Por cada duas ou três pessoas como descrevi, há sempre uma de mim, que irá lutar contra isto. Porque sinto mesmo que a nossa sociedade jovem pode ter muito potencial e, por isso, não vale a pena desistir já de nós. Porque assumir compromissos não é assustador e podemos descobrir coisas com que nos identificamos belíssimas.

7 comentários:

  1. Adorei o post!
    beijinhos
    http://eyeelement.blogspot.com/

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  2. Concordo quando dizes que a sociedade jovem pode ter potencial, também eu acredito muito nisso! :p

    Beijocas,
    ANDA DAÍ!

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  3. Penso muito nesta ansiedade de viver que aqui falas e sinto que de tanto querermos muito e rápido, acabamos por não apreciar e aproveitar cada momento, com a moderação devida. Tem muito a ver com o nosso ritmo diário que, muitas vezes, é difícil de combater.

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  4. Há jovens com muita pressa de viver e fazer as coisas e ao mesmo tempo parece que tudo e nada lhes interessa. Têm muita vontade de chegar a todo o lado, fazer mil e uma coisas de uma vez e depois não conseguem aproveitá-las como deve ser. No entanto também concordo contigo, esta nova geração parece ter muito potencial, só têm de o saber agarrar como deve ser! Beijinhos :)

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  5. Acho que tens uma perspectiva da vida e dos momentos muito concreta mas muito positiva e bonita, Joana! E concordo imenso contigo e estou a tentar aprender a aproveitar mais cada segundo como se fosse o último!

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  6. Confesso que tenho um pouco medo de compromisso, mas não é no sentido de querer as coisas feitas rápidas a despachar ( muito pelo contrário, eu gosto que as coisas sejam bem feitas), é mais no sentido de ter medo de estar a gastar o meu tempo e energia em coisas que poderão não dar em nada. Porém, a vida é feita de riscos, e aprendemos sempre algo com cada experiência e, para mim, a melhor maneira de vivermos em plenitude é comprometermos em relações positivos, em projetos que gostamos, em trabalhos,... Aliás, acho que é impossível não nos comprometermos com nada, à sempre algum compromisso que acabamos por criar, nem que seja inconcientemente.
    Mas é algo que tenho reparado bastante, as pessoas já não se comprometem com nada como antes. Isso nota-se muito nas relações, as pessoas já não investem tanto nas amizades e namoros como dantes, o que é muito triste.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  7. Ora um texto ao qual não acrescentaria mais nada!! Eu não tenho receio de me comprometer, aliás, penso que o medo advenha das escolhas que fazemos em relação às pessoas com as quais escolhemos trabalhar, ou mesmo dos projetos que escolhemos para nós, sem antes cogitarmos acerca deles! Como tal, e tendo vindo a aprender a destacar de forma concisa o que quero da minha vida, tem-se tornado cada vez mais fácil atirar-me de cabeça a certos projetos. E as recompensas são incríveis!
    Uma publicação excelente, como sempre!
    Beijinhos!

    LYNE

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